sexta-feira, 25 de março de 2011

A Deriva!

Hoje é um dia tempestuoso
Não espero compreensão
Já foi moderno rimar
Hoje não

Estou precisando de paz
Quem sabe alguém pra sonhar
Faz tempo e o sono não vem
Preciso de um sonho bom pra acordar

Você poderia vir
Sonhar por mim
Afastar minha confusão
Acalmar esse mar

E se você ficasse
Talvez eu não perdesse o chão
Poderia ser meus pés
Seu corpo seria minha ligação

Poderia rimar as minhas rimas
Ou então me acolheria no seu silencio
Pintaria com as mais belas tintas
Um abraço que me abrigue.

Pode ser o seu abraço
Ou simplesmente seu beijo
Seria o mais eficaz resgate

Espero você
Afim de que
desse desencanto
Me salve!

Por: Angélica Santos Marra

Pequena lembrança

Pés pequenos calçados por uma havaiana
Meio fio é o caminho da cigana
Onde pernas andam e desfilam
Equilibram-se como faz à baiana

Mal sabe os olhos que vê, é de propósito
Sem controversas encantam com o brilho
Braços abertos e finos
Unem-se ao horizonte
Mantêm o corpo sobre aponte

Olhos pretos refletem a imagem da menina
Blusa vermelha, jeans e óculos da pequena
A rede logo adiante balança,
Seus pés seguem e ali alcança
Disfarça dentro de si o encanto correspondido

Já recostada no sofá
Segura as palavras do livro a ser engolido
No colo um menino que sem saber a tem
Não era raiva é de criança o tempo
Não era confusão, mas falta de conhecimento

Logo o cansaço alcança
Aquele que a observa não percebeu
O cansaço não fez dela a Bela
Ainda vê e sente mesmo que já adormeceu
Ela vê e se alegra, seu mais simples sono é encanto
Mais que belo canto seria ela dele e ele dela

O corpo não reconhece
Aquilo que a infância ousou escrever
Poderia ser verdade?
A mesma menina agora mulher
Ironicamente nasce cativando
Logo adormece ao poente
Para amanhecer em par somente

Leves risadas e discretas
Escritas pela ironia nas flechas
Talvez acabem mesmo como nos contos
Perdidos ou apaixonados
Talvez simplesmente passe se for fraca
Acontece, o belo perde a graça

Mas sigo como observadora que sou
E digo: - O puro sentimento brotou!
Nas entrelinhas há rima
Abstrata rima que mantém viva
A menina que nesse dia sonhou

Por um tempo esquecem
Um canto de silencio
Dentro daquele que se encantou
Adormece abraçado aos planos
Que o acaso guardou


Angélica Santos Marra

sexta-feira, 18 de março de 2011

O amor e seu clichê

Não sei o que é amor
Nem ouso essa palavra
Tenho medo de errar
De não ser sinônimo

Que tamanho horror seria
Fazer na vida uma rima
Um rima fraca
Fazer dela maltrapilha
Chamar amor a duvida
Tal sentimento desconheço
No entanto me atrai o que exala
Toma-me ás vezes
Na mais singela loucura
A evolução da paixão
Esse amor que pulsa

De fato não o sei
Quem o sabe?
Todos repetem a palavra
Amor amor amor

Por mais certeira
Melhor seria não fosse dita
Parece maior verdade
Deixa de ser utopia
Quando não se diz

Mais se cala no abraço
Prova-se no beijo
Grita-se com os olhos
Confirma-se com o sorriso


>Poema por Angélica Santos Marra.